II Simpósio Ibero-Americano de Segregação Socioespacial Urbana
Transformações nas Expressões Espaciais da Desigualdade e da Exclusão em Tempos de Transição Sociopolítica acelerada
Introdução ao Simpósio
A segregação socioespacial urbana – a distribuição desigual dos grupos sociais no espaço urbano – é, desde há muito, uma preocupação central da Geografia, dos Estudos Urbanos e das Ciências Sociais.. Não obstante a profusão de estudos que se vêm multiplicando ao longo das décadas, aprofundando e diversificando os métodos (algo que os SIG, a Geoestatística e a IA têm ajudado a refinar), alargando os grupos de sujeitos (e.g. idosos, os grupos definidos com base na orientação sexual), incluindo novos organismos urbanos (as cidades do sul global; as cidades médias, em geral) e dando atenção a uma maior panóplia de processos (a segregação escolar ou a segregação vertical…), o tema continua a manter uma enorme relevância.
Efetivamente, a segregação continua a ser um dos processos mais marcantes da vida urbana contemporânea. As formas atuais de reestruturação socioeconómica e urbanística – da gentrificação transnacional à financeirização imobiliária e da plataformização da economia às políticas de desenvolvimento urbano competitivo – reforçam a necessidade de repensar como a segregação é produzida, reproduzida e contestada nas cidades ibero-americanas.
Dando continuidade a uma iniciativa que partiu de um grupo de geógrafos da Universidade de Burgos (Espanha), em colaboração com a Universidade Federal do Espírito Santo (Brasil), realizada em junho de 2023, este II Simpósio Ibero-Americano de Segregação Socioespacial terá lugar em Lisboa (Portugal) e procura consolidar um espaço de intercâmbio, reflexão e debate, que está ancorado em três objetivos principais:
- Proporcionar o diálogo académico em torno da investigação sobre segregação, num sentido aberto e plural, desenvolvida nas e sobre as cidades ibero-americanas;
- Desenvolver análises que articulem as atuais transformações políticas e económicas – como o protecionismo, o fecho de fronteiras, a desglobalização, as restrições migratórias, a desigualdade, a financeirização, a desregulação laboral, a economia de plataforma e mesmo o regresso de uma “geopolítica de guerra” – com os processos sociais e urbanos em curso (envelhecimento, nomadismo digital, internacionalização imobiliária, gentrificação turística, mercantilização dos centros históricos e das cidades em geral);
- Promover a análise comparativa entre diferentes contextos territoriais ibero-americanos, valorizando as perspetivas construídas a partir do “Sul Global” para, a partir daí, repensar e alargar a teoria urbana. O objetivo é valorizar as especificidades das cidades do Sul em sua dimensão relacional e interdependente, ao mesmo tempo que se dialoga criticamente com as leituras produzidas no Norte Global, contribuindo para a construção de estudos urbanos mais plurais e globais.
Com este enquadramento, o Simpósio assume-se como um espaço de encontro, reflexão e debate crítico sobre os múltiplos rostos da segregação urbana. Mais do que descrever desigualdades, queremos discutir como estas se relacionam com as transformações profundas das cidades ibero-americanas e, a partir delas, repensar os horizontes teóricos e práticos para compreender e enfrentar os desafios da segregação urbana no século XXI.
Linhas temáticas
- Medir a segregação: progressos e tendências nos domínios qualitativo, quantitativo e geográfico
- Segregação em cidades médias e não metropolitanas: desafios, impactos e singularidades
- Segregação e interseccionalidade: da classe e da nacionalidade/etnia à idade, género ou condição indígena
- Novas formas de segregação e fragmentação: espaços escolares, segregação vertical e microssegregação
- Segregação residencial e efeito de bairro: tendências de financeirização, regeneração e gentrificação
- Movimentos sociais urbanos, resistência e segregação: tensões, dilemas e articulações
Comissão Organizadora
Adélia Verónica Silva (CEG/IGOT-ULisboa)
Alina Esteves (CEG/IGOT-ULisboa)
Carlos Hugo Soria Cáceres (Universidad de Burgos)
Diogo Gaspar Silva (CEG/IGOT-ULisboa)
Gonzalo Andrés López (Universidad de Burgos)
Igor Martins Medeiros Robaina (Universidade Federal do Espírito Santo e Universidad de Burgos)
Jennifer McGarrigle (CEG/IGOT-ULisboa)
Jorge Malheiros (CEG/IGOT-ULisboa)
Juliana Chatti Iorio (CEG/IGOT-ULisboa)
Luís Mendes (CEG/IGOT-ULisboa)
Marina Gaboleiro Carreiras (CEG/IGOT-ULisboa)
Paulo Miguel Madeira (CEG/IGOT-ULisboa)
Rui Carvalho (CES-Universidade de Coimbra)
Sara Larrabure (CEG/IGOT-ULisboa)
Comissão Científica
Alina Esteves (IGOT-ULisboa)
Carlos Hugo Soria Cáceres (Universidad de Burgos)
Carme Bellet Sanfeliu (Universitat de Lleida)
Diogo Gaspar Silva (IGOT-ULisboa)
Doralice Sátiro Maia (Universidade Federal da Paraíba)
Fátima Matos (Universidade do Porto)
Flávia Feitosa (Univ. Federal do ABC)
Francisco Cebrián Abellán (Universidad de Castilla-La Mancha)
Gonzalo Andrés López (Universidad de Burgos)
Igor Martins Medeiros Robaina (Universidad de Burgos/Universidade Federal do Espírito Santo)
Jennifer McGarrigle (IGOT-ULisboa)
Jordi Bayona (Universidad de Barcelona)
Jorge Barbosa (Universidade Federal Fluminense - UFF)
Jorge Malheiros (IGOT-ULisboa)
Lucinda Fonseca (IGOT-ULisboa)
Luís Mendes (IGOT-ULisboa)
Maria Encarnação Spósito (Univ. Estadual Paulista – Presidente Prudente)
María Ángeles Rodríguez Domenech (Universidad de Castilla-La Mancha)
Natalia Gavazzo – (CONICET e Universidad Nacional de San Martin, Buenos Aires)
Pablo Pumares (Universidad de Almeria)
Paulo Miguel Madeira (IGOT-ULisboa)
Rui Carvalho (CES - Universidade de Coimbra)
Susana Maria Sassone (IMHICIHU-Buenos Aires)
Teresa Barata Salgueiro (IGOT-ULisboa)
Parceria Institucional
IGOT-ULisboa, Universidade de Burgos e Universidade Federal do Espírito Santo
