O Prof. José Luís Zêzere foi convidado do programa Especial Informação da TVI24, apresentado pelo jornalista Pedro Pinto, no dia 16 de outubro de 2017, onde se debateu a situação vivida no dia 15 de outubro, com a deflagração de fogos florestais de grande violência e que provocaram devastação e mortes no território nacional a norte do rio Tejo.

O Prof. José Luís Zêzere, docente do IGOT, Investigador do Centro de Estudos Geográficos e coordenador no IGOT do Doutoramento em Território, Risco e Políticas Públicas, referiu na sua intervenção diversos aspetos fundamentais do risco de fogo florestal e as suas principais causas. Foi claro na sua intervenção quanto ao facto da situação ocorrida não ser nova e ser uma réplica do que ocorreu em Outubro de 2011, ano em que não houve perdas humanas, mas em que o número de ignições foi semelhante à ocorrida no passado Domingo.

Foi explicado que, para além da “ossatura do território”, ou seja, das características físicas do terreno que são desfavoráveis ao combate aos incêndios florestais, a existência de uma floresta que não é composta por espécies nativas adaptadas ao clima mediterrâneo, mas sim composta por espécies resinosas que são pouco resistentes e que ardem com facilidade potenciam a tragédia.

Acresce a este problema o facto das áreas florestais se encontrarem despovoadas e sem vigilância, sem que haja atividade humana e económica em torno da floresta.

Foi ainda salientada uma das características fundamentais do clima mediterrâneo que potencia os incêndios que é o facto da estação quente coincidir com a estação seca, o que leva a que os fogos destas dimensões ocorram em regiões com clima com esta característica, como a bacia mediterrânica, a Califórnia, a África do Sul ou a Austrália. O Prof. José Luís Zêzere referiu que é essa a razão pela qual se verificam incêndios de grandes dimensões há 8 dias na Califórnia, tendo ainda referido que este tipo de incêndios (mega-incêndios) não se conseguem apagar, porque apenas terminam quando as condições meteorológicas se alteram ou quando a matéria combustível (floresta e mato) se esgotam. Razão pela qual as ações devem incidir na prevenção e no combate precoce, de modo a evitar que os incêndios ganhem escala.

O Prof. José Luís Zêzere pôs ainda a descoberto o problema grave do ordenamento, bem patente na ausência de regras para os território rurais e florestais nos PDM ou na inexistência de um cadastro florestal eficaz e a necessidade de criação de valor na floresta para que a mesma seja valorizada dos pontos de vista social e económico.

Para ver ou rever no TVI Player: Especial Informação – Portugal devastado pelos fogos – Intervenções do Prof. José Luís Zêzere a partir do minuto 42′