O Centro de Formação do IGOT organizou, pelo nono ano consecutivo, as Jornadas IGOT dos Professores de Geografia, de novo creditadas pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua. Tal como no ano passado, devido à pandemia, decorreram em formato online. Participaram 230 professores de Geografia, maioritariamente da área de Lisboa mas, também por decorrer por videoconferência, de todo o país e com formações iniciais em diferentes universidades. Dado o elevado número de candidatos, as inscrições tiveram de ser limitadas. Cerca de 100 professores participaram pela primeira vez nas Jornadas, o que também demonstra como estas vão merecendo a atenção de mais e mais docentes e de como o online “democratiza” o acesso a esta formação.

Não é demais sublinhar ser este é o maior evento nacional especificamente de formação de professores desta disciplina. Arriscamo-nos a dizer também, que é a melhor ação de formação: contou com 10 conferências temáticas, de Geografia Humana ou Geografia Física, de conhecidos especialistas (também geógrafos de outras instituições) e duas conferências-debate, uma delas em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa. Dificilmente muitas mais instituições conseguirão oferecer uma formação com esta diversidade e profundidade.

Na realidade, os temas abordados foram intencionalmente variados: o planeamento biofísico do território – Ricardo Garcia; a relação cidade-campo-cidade (o caso da região de Lisboa) – Patrícia Abrantes; turismo e inovação – Inês Portugal; a floresta Laurissilva da Madeira – Raimundo Quintal; Portugal, um país a várias diversidades (ou a discussão desta afirmação) – João Ferrão; riscos, perigosidade e vulnerabilidade – Sérgio Oliveira; Portugal na pandemia – Nuno Costa; uma Geografia para o desenvolvimento sustentável (Helena Esteves); as regiões polares num planeta em mudança – Gonçalo Vieira; migrações, envelhecimento demográfico e despovoamento das áreas ruais – Lucinda Fonseca. E ainda, na tarde de sábado, decorreram as conferências-debate sobre o filme “A evolução urbana da cidade de Lisboa” (Câmara Municipal de Lisboa), moderadas por Teresa Barata Salgueiro e Paulo Pais e “Ser professor de Geografia em Portugal”, moderada poro Herculano Cachinho e com a participação de colegas do ensino básico e secundário de diferentes escalões etários e profissionais.

Faltaram nestas Jornadas, naturalmente, o reencontro de colegas, as conversas e, também muito importante, o trabalho de campo. Na avaliação das IX Jornadas pelos colegas de Geografia (e, muitas vezes, antigos colegas ou alunos dos formadores), estas questões foram naturalmente mencionadas. Mas foram igualmente abordados dois outros aspetos: a grande densidade de três dias de formação, em que os formadores se empenham em partilhar o melhor possível a sua investigação e docência; e a necessidade de, para o ano, se permitir a participação dos colegas mais distantes. Alguns professores de Geografia afirmaram o óbvio: participaram em 2020 e em 2021 pela primeira vez nas Jornadas, mas não gostariam de deixar de o fazer com o final do período pandémico. Um desafio a que o Centro de Formação terá de dar resposta.

Na avaliação global e anónima dos formandos, na escala de 1 a 6, as Jornadas foram globalmente avaliadas em 5,6, ou seja, foram Excelentes. Através destas Jornadas, o IGOT cumpre a sua missão de colaborar na atualização científica dos professores de Geografia portugueses, seus antigos alunos ou não, e, indiscutivelmente, afirma-se, também por esta forma, como instituição de referência na formação contínua de professores de Geografia.